Pôster de Homem-Aranha no Aranhaverso

Crítica: Homem-Aranha no Aranhaverso

Spider-Man: Into the Spider-Verse · 2018

4,5
★★★★★Nota NetCine · de 0 a 5
Direção
Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman
Roteiro
Phil Lord, Rodney Rothman
Elenco
Shameik Moore, Jake Johnson, Hailee Steinfeld, Mahershala Ali, Brian Tyree Henry, Liev Schreiber
Gêneros
Animação, Ação, Aventura, Comédia
Ano
2018
Duração
1h57
País
Estados Unidos
Por Redação NetCinePublicado em Como avaliamos
Cena de Homem-Aranha no Aranhaverso
Imagem: divulgação

Homem-Aranha no Aranhaverso reinventa a animação e devolve a alegria ao herói

SINOPSEMiles Morales é um adolescente do Brooklyn que acaba de trocar de escola e ainda tenta descobrir quem quer ser. Depois de uma picada de aranha, ele descobre que não é o único Homem-Aranha: um experimento do Rei do Crime abre passagem para versões do herói vindas de outras dimensões. Juntos, eles precisam fechar a brecha antes que a cidade entre em colapso.

Homem-Aranha no Aranhaverso chegou em 2018 como a enésima versão de um herói que já tinha tido três atores em dezesseis anos, e saiu como o melhor filme do personagem. A produção da Sony Pictures Animation reinventou a estética do longa animado, transformou Miles Morales em protagonista de carne e osso e provou que uma história de origem ainda pode emocionar quando é contada com personalidade. É espetáculo visual e drama familiar na mesma medida, e raramente erra a mão.

Por que a animação do Aranhaverso parece um quadrinho vivo?

A primeira coisa que salta aos olhos é que o filme não se parece com nada que a animação em computador tinha produzido até então. A equipe combinou modelos 3D com acabamento 2D, retículas de impressão, contornos a nanquim, balões de pensamento e onomatopeias desenhadas na tela. Em vez de desfoque de movimento, a imagem usa aberração cromática, aquele desalinhamento de cores das impressões baratas, e a animação é feita em menos quadros por segundo em momentos escolhidos, criando um ritmo cadenciado que lembra o folhear de páginas. O resultado é um quadrinho em movimento, não um desenho tentando parecer real.

A ousadia maior é dar a cada Homem-Aranha de outra dimensão um estilo próprio. O Aranha Noir, dublado por Nicolas Cage, existe em preto e branco mesmo em cenas coloridas; Peni Parker vem do anime, com olhos enormes e traços finos; o Porco-Aranha é um desenho animado clássico, com física de cartum e martelo saído do nada. Os três convivem no mesmo quadro sem que a mistura pareça gambiarra, e a direção de Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman transforma essa colisão de linguagens em piada e em tese ao mesmo tempo: qualquer um pode usar a máscara.

Miles Morales é o melhor protagonista que o herói já teve

Por trás do fogo de artifício visual há um roteiro sólido de Phil Lord e Rodney Rothman. Miles, com a voz de Shameik Moore, é um adolescente do Brooklyn que acaba de entrar em um colégio de elite, se sente deslocado e ainda não sabe quem quer ser. O filme investe tempo na família: o pai policial, vivido por Brian Tyree Henry, e o tio Aaron, com a voz de Mahershala Ali, representam dois caminhos possíveis, e a relação de Miles com cada um deles é tratada com uma delicadeza incomum em filmes de super-herói de qualquer estúdio.

O contraponto é Peter B. Parker, um Homem-Aranha de meia-idade, barrigudo e divorciado que Jake Johnson transforma no melhor alívio cômico da franquia e, ao mesmo tempo, em um mentor relutante com algo real a aprender. Hailee Steinfeld dá a Gwen Stacy segurança e melancolia na medida. A cena em que Miles finalmente assume o manto, com a câmera invertida e a cidade se abrindo abaixo dele, é o tipo de momento que justifica um filme inteiro e que funciona porque o roteiro construiu cada passo até ali com paciência.

Ritmo, vilão e trilha: o que impede a nota máxima?

Os defeitos são poucos, mas existem. O ritmo é frenético do início ao fim, e o terceiro ato empilha tanta informação visual que alguns espectadores saem do cinema com a sensação de ter sido atropelados. O Rei do Crime, com a voz de Liev Schreiber, tem motivação forte e desenho impressionante, um bloco de concreto com rosto, mas é o Prowler, muito mais interessante, que fica com pouco tempo de tela. Há também um excesso de personagens no último ato, e nem todos recebem o espaço que mereciam.

A trilha de Daniel Pemberton mistura orquestra, scratch de toca-discos e sintetizadores sujos, e a canção Sunflower, de Post Malone e Swae Lee, funciona como tema de Miles sem parecer inserção comercial. A montagem de Robert Fisher Jr. acompanha a velocidade do visual e sabe quando parar, como na conversa entre Miles e o pai através de uma porta fechada, uma das cenas mais bonitas do gênero. São essas pausas que seguram o filme no chão e evitam que a técnica engula a história que está sendo contada.

Vale a pena assistir Homem-Aranha no Aranhaverso?

Vale, e para qualquer idade. Homem-Aranha no Aranhaverso é ao mesmo tempo o filme mais inventivo visualmente do gênero e uma das histórias de amadurecimento mais bem contadas da animação recente. Não exige conhecimento prévio, brinca com a própria repetição da origem do herói e emociona sem chantagem. O Oscar de Melhor Animação, vencido contra concorrentes de estúdios bem maiores, foi apenas o reconhecimento do óbvio para quem viu o filme no cinema.

Quem se incomoda com montagem acelerada e excesso de estímulo visual pode sentir cansaço no final, e o vilão principal fica aquém dos coadjuvantes. São ressalvas pequenas diante do que o filme entrega em invenção, humor e emoção, e nenhuma delas atrapalha a experiência de quem chega sem expectativas. Nota 4,5 de 5: uma animação que mudou a estética da indústria e, mais importante, que entende por que o Homem-Aranha importa para tanta gente de gerações diferentes.

Pontos fortes

  • Estética inédita que mistura 3D e linguagem de quadrinhos
  • Miles Morales e sua família têm peso dramático real
  • Humor afiado sem sabotar a emoção

Pontos fracos

  • Terceiro ato visualmente exaustivo
  • Rei do Crime menos interessante que o Prowler

Veredito: 4,5/5

★★★★★

Homem-Aranha no Aranhaverso reinventou a animação de super-heróis e entregou a melhor história de origem do personagem. Inventivo, engraçado e emocionante, com falhas mínimas de ritmo. Nota 4,5 de 5.

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Perguntas frequentes sobre Homem-Aranha no Aranhaverso

Homem-Aranha no Aranhaverso ganhou Oscar?

Sim. O filme venceu o Oscar de Melhor Animação na cerimônia de 2019, superando produções de estúdios maiores, e também levou o Globo de Ouro e o BAFTA na mesma categoria. Foi a primeira vez que um longa da Sony Pictures Animation conquistou a estatueta.

Precisa ver outros filmes do Homem-Aranha antes do Aranhaverso?

Não. O filme é independente dos longas em live-action e conta a própria história de origem de Miles Morales do zero. Conhecer as versões anteriores do herói enriquece as piadas e referências, mas o roteiro explica tudo o que é necessário e funciona perfeitamente como porta de entrada.

Homem-Aranha no Aranhaverso tem continuação?

Sim. Homem-Aranha: Através do Aranhaverso foi lançado em 2023, continua a história de Miles e Gwen e termina em suspense. Um terceiro capítulo, que encerra a trilogia, está em produção e já foi anunciado pelo estúdio, com Miles Morales novamente no centro da trama.

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