Pôster de La La Land: Cantando Estações

Crítica: La La Land: Cantando Estações

La La Land · 2016

4,0
★★★★★Nota NetCine · de 0 a 5
Direção
Damien Chazelle
Roteiro
Damien Chazelle
Elenco
Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, Rosemarie DeWitt, J.K. Simmons
Gêneros
Musical, Romance, Drama, Comédia
Ano
2016
Duração
2h08
País
Estados Unidos
Por Redação NetCinePublicado em Como avaliamos
Cena de La La Land: Cantando Estações
Imagem: divulgação

La La Land: Damien Chazelle filma a nostalgia com cores vivas e um final que dói

SINOPSEMia é uma aspirante a atriz que acumula testes frustrados enquanto serve café em um estúdio de Hollywood. Sebastian é um pianista de jazz obcecado pela ideia de abrir o próprio clube. Quando os dois se cruzam em Los Angeles, o romance que nasce passa a disputar espaço com as ambições de cada um.

Poucos filmes recentes dividiram tanto o público quanto La La Land. Para uns, Damien Chazelle resgatou o musical clássico com coragem; para outros, entregou um exercício de estilo vazio. A verdade fica no meio, mas pende para o elogio. O filme tem direção segura, fotografia deslumbrante e um terceiro ato que justifica tudo o que veio antes. O que o impede de ser uma obra-prima é um miolo que se arrasta e canções que nem sempre sustentam a ambição.

A abertura no viaduto já entrega o jogo de Chazelle

O número de abertura, filmado em um viaduto congestionado de Los Angeles sob sol a pino, funciona como declaração de princípios. A câmera de Linus Sandgren desliza entre carros e dançarinos como se fosse um plano único, em formato CinemaScope e com cores saturadas que remetem aos musicais da MGM e ao cinema de Jacques Demy. Damien Chazelle avisa desde o primeiro minuto que não está interessado em realismo: o filme é um sonho sobre pessoas que sonham, e cada enquadramento é construído para reforçar essa artificialidade assumida. Quem resiste a esse pacto nos cinco minutos iniciais dificilmente vai embarcar no resto.

O problema de apostar tanto no estilo é que a direção às vezes chama mais atenção do que a história. Há momentos em que a iluminação muda dentro do plano, o fundo escurece e um foco isola o personagem, recurso bonito que Chazelle repete até perder o impacto. Ainda assim, a encenação é inegavelmente precisa. O diretor coreografa a câmera com a mesma disciplina que impôs em Whiplash, e a sequência no planetário do Observatório Griffith, com o casal flutuando entre estrelas, é o tipo de imagem que sobrevive na memória muito depois de a sessão acabar.

Emma Stone e Ryan Gosling cantam bem? Não, e isso é parte do charme

Nenhum dos dois tem voz de Broadway, e Chazelle sabe disso. As canções são gravadas com um registro quase falado, frágil, que aproxima os personagens de pessoas comuns tentando se expressar, e não de artistas treinados. Em Emma Stone, essa escolha rende o melhor momento do filme: a cena do teste em que ela canta sobre a tia que pulou no Sena é filmada em um plano fechado, sem cortes de apoio, e vive inteiramente da expressão da atriz. Foi isso que lhe garantiu o Oscar de Melhor Atriz, e é difícil discordar da escolha.

Ryan Gosling tem a tarefa mais ingrata. Sebastian é um purista do jazz, personagem que beira o insuportável no papel, e o ator o salva com timing cômico e com uma dedicação física impressionante: ele mesmo toca piano em cena, depois de meses de treino, sem dublê de mãos. A química entre os dois, testada antes em Amor a Toda Prova, é o motor do filme. Quando dançam no mirante ao pôr do sol, a coreografia é simples e até um pouco desajeitada de propósito, e é justamente essa imperfeição que torna a cena crível em vez de apenas bonita.

O roteiro afunda no segundo ato, mas a montagem resgata o final

O miolo do filme é onde La La Land perde pontos. Quando Sebastian aceita entrar na banda de Keith, vivido por John Legend, o roteiro entra em uma discussão sobre tradição e modernidade no jazz que soa didática e, pior, pouco convincente. A ideia de que um pianista branco precisa salvar um gênero negro de ser corrompido pelo pop incomodou muita gente na época, com razão. Além disso, o filme abandona por longos trechos a lógica de musical: as canções somem, o ritmo cai e o drama de casal vira algo bem mais convencional do que a abertura prometia.

A recuperação vem no epílogo, e que recuperação. Sem revelar nada, basta dizer que Chazelle e o montador Tom Cross constroem uma sequência de alguns minutos, quase sem diálogo, que relê todo o filme sob outra luz e transforma a nostalgia em algo mais amargo e adulto. A trilha de Justin Hurwitz, que vinha repetindo os mesmos temas, finalmente justifica a insistência quando os motivos se encontram. É um final que divide, porque recusa a resposta fácil, e é exatamente por isso que o filme fica maior do que a soma de suas partes.

Vale a pena assistir La La Land: Cantando Estações?

Vale, principalmente para quem gosta de cinema que assume a própria artificialidade. La La Land é um filme sobre o preço das ambições, embalado como homenagem ao musical clássico, e nos seus melhores momentos consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo. A fotografia, a direção de arte e a montagem final estão entre as mais bem executadas do cinema americano da década, e o par central tem carisma suficiente para cobrir as limitações vocais. É um filme que pede entrega, e recompensa quem a oferece.

As ressalvas são reais: o segundo ato se arrasta, o discurso sobre jazz é raso e a repetição de recursos visuais cansa. Mas nenhuma delas anula o impacto do conjunto. É um filme que melhora com uma segunda sessão, quando se sabe para onde ele vai e é possível prestar atenção em como Chazelle planta cada detalhe desde a primeira cena. Nota 4 de 5: um grande filme com defeitos visíveis, não uma obra-prima, mas um dos musicais mais relevantes que o cinema americano produziu neste século.

Pontos fortes

  • Fotografia e direção de arte deslumbrantes
  • Epílogo que ressignifica todo o filme
  • Emma Stone em atuação premiada e merecida

Pontos fracos

  • Segundo ato arrastado e pouco musical
  • Discurso sobre jazz raso e datado

Veredito: 4,0/5

★★★★★

La La Land é um musical ambicioso que acerta na forma e no desfecho, mesmo tropeçando no meio do caminho. A química de Emma Stone e Ryan Gosling e a montagem final garantem a recomendação. Nota 4 de 5.

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Perguntas frequentes sobre La La Land: Cantando Estações

La La Land ganhou o Oscar de Melhor Filme?

Não. O filme chegou a ser anunciado vencedor por engano na cerimônia de 2017, mas o prêmio pertencia a Moonlight, e a confusão com os envelopes virou um dos momentos mais famosos da história do Oscar. La La Land levou seis estatuetas, incluindo Direção para Damien Chazelle e Atriz para Emma Stone.

Ryan Gosling toca piano de verdade em La La Land?

Sim. O ator passou meses estudando piano antes das filmagens e executou ele mesmo as peças que aparecem em cena, sem dublê de mãos. As sequências foram filmadas de forma a mostrar rosto e teclado no mesmo plano, o que torna o esforço evidente para quem assiste.

Quantos Oscars La La Land ganhou?

Foram seis vitórias em catorze indicações, número que empatou o recorde de indicações da premiação. O filme venceu Direção, Atriz, Fotografia, Trilha Sonora Original, Canção Original por City of Stars e Direção de Arte, mas perdeu Melhor Filme, Roteiro Original e Ator, entre outras categorias.

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