
Vingadores: Ultimato é uma despedida emocionante que tropeça no próprio tamanho
Fechar uma saga de 22 filmes em três horas é tarefa ingrata, e Vingadores: Ultimato cumpre o compromisso com mais acerto do que erro. Os irmãos Russo entregam a despedida que o público queria, com momentos genuinamente emocionantes e um primeiro ato surpreendentemente sóbrio. Mas o filme também expõe os limites da fórmula: a viagem no tempo é conveniente, o clímax é um borrão digital e o roteiro depende de o espectador ter visto tudo o que veio antes. Um bom filme, não um grande filme.
A primeira hora é a mais madura que o estúdio já filmou
O começo de Ultimato é quase um drama de luto. Cinco anos se passaram desde a derrota, o mundo está pela metade e os heróis que sobraram lidam com a culpa de formas diferentes: Natasha se afunda em trabalho, Steve Rogers conduz grupos de apoio, Thor desaba e Clint Barton vira um vigilante violento. Anthony e Joe Russo seguram o ritmo, filmam conversas em vez de explosões e deixam o silêncio pesar. Para um estúdio acostumado a desarmar qualquer emoção com piada, é um gesto de coragem, e o filme ganha muito com isso.
Essa abertura só funciona porque o público carrega uma década de convivência com os personagens, e o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely sabe cobrar essa dívida afetiva. Robert Downey Jr. tem seus melhores momentos da franquia em cenas pequenas, e Chris Evans encontra um Capitão América cansado, mais interessante do que o ícone imaculado dos filmes anteriores. A fotografia de Trent Opaloch acompanha com paleta sombria e planos mais longos. Se o filme mantivesse essa temperatura até o fim, estaríamos falando de outra nota.
A viagem no tempo diverte, mas o roteiro afrouxa as próprias regras
Quando a trama encontra um caminho para reverter o desastre, Ultimato vira uma excursão nostálgica pelos filmes anteriores. A ideia é esperta e rende sequências divertidas, com personagens revisitando o próprio passado e comentando as escolhas de roteiros antigos. O problema é que as regras da viagem no tempo são explicadas em uma cena, contrariadas na seguinte e remendadas com diálogos que praticamente pedem para o público não pensar muito. Para uma trama que depende inteiramente desse mecanismo, a falta de rigor incomoda mais do que deveria.
O humor também volta com força, e nem sempre na hora certa. A transformação de Thor em figura cômica, por exemplo, começa como comentário sobre depressão e termina como piada repetida, desperdiçando o trabalho que Chris Hemsworth vinha fazendo. Há excesso de personagens para administrar, e vários deles só existem para uma aparição rápida e um aplauso na sala. A montagem de Jeffrey Ford e Matthew Schmidt é eficiente em manter o fôlego ao longo de 181 minutos, mas não disfarça que o segundo ato é uma colagem de momentos, não uma narrativa.
A batalha final: espetáculo digital com pouco peso físico
O clímax é, ao mesmo tempo, o ponto alto e a maior fraqueza do filme. Como evento, é impressionante ver todos os heróis reunidos em um único campo de batalha, e a trilha de Alan Silvestri, retomando o tema clássico dos Vingadores, arranca a reação esperada. Como cinema, porém, é um borrão: iluminação cinzenta, cenário de terra digital sem geografia clara, cortes rápidos que impedem de entender quem está onde. Comparado ao combate em Wakanda do filme anterior, que tinha luz do dia e espaço definido, é um retrocesso visual evidente.
Ainda assim, dentro do caos, os Russo encontram três ou quatro imagens que justificam a jornada, momentos pensados para pagar promessas feitas anos antes e que funcionam porque o investimento emocional é real. O desfecho, sem entrar em detalhes, é mais corajoso do que a média do estúdio e dá a alguns personagens o encerramento que mereciam. É esse equilíbrio entre o espetáculo genérico e a emoção honesta que define a nota: Ultimato acerta onde importa para o fã, mas raramente ultrapassa a condição de produto bem executado.
Vale a pena assistir Vingadores: Ultimato?
Vale, com uma condição clara: ter acompanhado os filmes anteriores, em especial Guerra Infinita. Sem essa bagagem, Ultimato é uma sucessão de referências e reencontros que não significam nada para quem chega de fora. Com ela, é uma despedida competente, emotiva em vários trechos e com um primeiro ato que surpreende pela maturidade. Como encerramento de uma década de histórias interligadas, cumpre o que promete e entrega ao público os momentos que ele esperava ver.
Como filme isolado, as ressalvas pesam. O roteiro é conveniente, o humor atrapalha mais do que ajuda em momentos-chave e a batalha final é visualmente pobre para o tamanho da produção. Três horas também são muito para uma narrativa que gasta boa parte do meio em fan service e referências internas. Nota 3,5 de 5: bom, emocionante quando quer, mas longe do melhor que o gênero já produziu e dependente demais do que veio antes.
Pontos fortes
- Primeira hora sóbria e focada no luto dos personagens
- Despedidas emocionantes para os heróis centrais
- Trilha de Alan Silvestri no ponto certo
Pontos fracos
- Regras de viagem no tempo inconsistentes
- Batalha final visualmente cinzenta e confusa
Veredito: 3,5/5
★★★★★Vingadores: Ultimato encerra uma saga com emoção genuína e um primeiro ato acima da média, mas tropeça em conveniências de roteiro e em um clímax digital sem peso. Nota 3,5 de 5: bom, com ressalvas claras.
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Perguntas frequentes sobre Vingadores: Ultimato
Vingadores: Ultimato é o filme de maior bilheteria da história?
Foi. Em 2019, o filme ultrapassou Avatar e assumiu o primeiro lugar no ranking mundial sem ajuste pela inflação. Avatar, porém, recuperou a liderança após um relançamento nos cinemas em 2021, e Ultimato segue na segunda posição entre as maiores bilheterias de todos os tempos.
Precisa assistir Guerra Infinita antes de Ultimato?
Sim, é indispensável. Ultimato é a continuação direta de Vingadores: Guerra Infinita, de 2018, e começa poucas semanas depois do final daquele filme, sem recapitulação. Boa parte do impacto emocional depende de conhecer o que aconteceu com os personagens, e o roteiro assume que o espectador já sabe.
Quanto tempo dura Vingadores: Ultimato?
O filme tem 181 minutos, ou seja, três horas e um minuto, e foi o mais longo do estúdio até a data de lançamento. Não há cena após os créditos, apenas um efeito sonoro, mas a duração extensa justifica planejar a sessão com antecedência.



