Pôster de Mad Max: Estrada da Fúria

Crítica: Mad Max: Estrada da Fúria

Mad Max: Fury Road · 2015

4,0
★★★★★Nota NetCine · de 0 a 5
Direção
George Miller
Roteiro
George Miller, Brendan McCarthy, Nico Lathouris
Elenco
Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Zoë Kravitz, Rosie Huntington-Whiteley
Gêneros
Ação, Aventura, Ficção Científica
Ano
2015
Duração
2h00
País
Austrália
Por Redação NetCinePublicado em Como avaliamos
Cena de Mad Max: Estrada da Fúria
Imagem: divulgação

Mad Max: Estrada da Fúria: George Miller reinventa o cinema de ação a toda velocidade

SINOPSENum deserto pós-apocalíptico onde água e combustível valem mais que vidas, Max é capturado pelos seguidores do tirano Immortan Joe. Ele acaba envolvido na fuga da Imperatriz Furiosa, que atravessa o deserto num caminhão de guerra levando algo que o déspota considera sua propriedade mais valiosa.

Trinta anos depois do último filme da série, George Miller voltou ao deserto de Mad Max e entregou um dos filmes de ação mais impressionantes do século. Estrada da Fúria é praticamente uma longa perseguição, e isso é elogio: cada sequência é coreografada com clareza, peso físico e imaginação visual delirante. Se o roteiro é deliberadamente rarefeito, a direção compensa com uma energia que poucos cineastas, em qualquer idade, conseguiriam imprimir.

Ação prática que faz o CGI parecer preguiçoso

O que mais impressiona em Estrada da Fúria é a sensação de que tudo aquilo realmente aconteceu. Miller apostou em veículos reais, dublês de verdade e acrobacias filmadas no deserto da Namíbia, recorrendo ao digital principalmente para ampliar cenários e apagar cabos. O resultado tem um peso físico raro no cinema de ação contemporâneo: as batidas doem, a poeira parece entrar na sala e cada explosão tem consequência. É um contraponto poderoso à ação genérica, feita em fundo verde, que domina os grandes estúdios.

E a ação nunca é confusa. Mesmo com dezenas de carros, personagens pendurados em varas e tempestades de areia, o espectador sempre sabe quem está onde e o que está em jogo. Miller enquadra a ação no centro da tela, o que facilita a leitura mesmo em cortes rápidos. A imaginação visual é outro trunfo: veículos montados como esculturas de sucata, um guitarrista com lança-chamas tocando sobre um caminhão de som e uma galeria de figuras grotescas fazem do filme uma experiência inconfundível.

Charlize Theron transforma Furiosa na verdadeira protagonista

O título leva o nome de Max, mas o filme pertence à Furiosa de Charlize Theron. Com a cabeça raspada, um braço mecânico e um olhar que diz mais do que qualquer diálogo, a atriz cria uma heroína de ação memorável, movida por culpa e esperança. Sua jornada dá ao filme um eixo emocional claro, e o roteiro tem o mérito de tratar as mulheres que ela protege como personagens com vontade própria, e não como simples prêmios a serem disputados pelos homens.

Tom Hardy assume o papel que consagrou Mel Gibson com uma composição quase muda, feita de grunhidos, tiques e olhares desconfiados. Funciona, mas Max acaba ofuscado pela própria história, mais testemunha do que motor da ação. Nicholas Hoult surpreende como Nux, um jovem fanático que ganha camadas inesperadas, e Hugh Keays-Byrne, que já tinha interpretado o vilão do primeiro Mad Max, faz de Immortan Joe uma presença ameaçadora mesmo escondida atrás de uma máscara.

Montagem e fotografia premiadas criam um ritmo hipnótico

Estrada da Fúria venceu seis Oscars, incluindo montagem, direção de arte, figurino, maquiagem e as duas categorias de som, além de concorrer a melhor filme e direção. A montagem de Margaret Sixel é o coração do filme: ritmo frenético, mas sempre legível, com variações de velocidade que dão fôlego às perseguições. A fotografia de John Seale aposta em laranjas saturados durante o dia e num azul noturno quase irreal, fugindo da paleta acinzentada que costuma dominar o cinema pós-apocalíptico.

A trilha de Junkie XL acompanha a pancadaria com tambores tribais e guitarras distorcidas, integrada ao próprio universo do filme. O ponto fraco, para quem valoriza narrativa, é a simplicidade da trama. A história se resume a uma ida e uma possível volta, os diálogos são escassos e boa parte do mundo é apenas sugerida. Para muitos, isso é virtude; para outros, deixa a sensação de um filme mais impressionante do que envolvente, sobretudo no segundo ato, quando o ritmo incessante cansa.

Vale a pena assistir Mad Max: Estrada da Fúria?

Sim, especialmente para quem gosta de ação e quer ver o gênero levado ao limite técnico e criativo. Estrada da Fúria é uma experiência sensorial intensa, daquelas que se beneficiam de tela grande e som alto, e que provam que um blockbuster pode ser autoral, estranho e ousado ao mesmo tempo. Não é preciso ter visto os filmes anteriores com Mel Gibson: a trama se sustenta sozinha, e o universo é apresentado pela imagem, sem longas explicações.

A nota quatro reconhece a excelência da direção, da montagem e do trabalho de Charlize Theron, mas também o fato de que a trama mínima e o protagonista apagado limitam o envolvimento emocional. Quem espera personagens profundos ou uma história cheia de camadas pode sair frustrado. Ainda assim, poucos filmes de ação recentes chegam perto do que George Miller fez aqui. E, para quem se encantar com Furiosa, vale emendar com o prelúdio Furiosa: Uma Saga Mad Max, lançado em 2024.

Pontos fortes

  • Ação prática filmada com clareza exemplar
  • Charlize Theron magnética como Furiosa
  • Montagem e direção de arte premiadas

Pontos fracos

  • Trama mínima e diálogos escassos
  • Max fica apagado na própria história

Veredito: 4,0/5

★★★★★

Mad Max: Estrada da Fúria é uma aula de cinema de ação, com perseguições práticas inesquecíveis e uma Furiosa marcante. A trama rarefeita limita o envolvimento, mas a experiência é obrigatória para fãs do gênero.

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Perguntas frequentes sobre Mad Max: Estrada da Fúria

Precisa ver os outros filmes antes de Mad Max: Estrada da Fúria?

Não. Estrada da Fúria funciona de forma independente e apresenta seu universo pela própria ação, sem exigir conhecimento da trilogia original estrelada por Mel Gibson. Quem já viu os filmes antigos vai reconhecer referências, mas a história é compreensível para qualquer espectador.

Onde Mad Max: Estrada da Fúria foi filmado?

As principais filmagens aconteceram no deserto da Namíbia, na África, que serviu de cenário para a terra devastada do filme. A escolha do local permitiu que George Miller rodasse as perseguições com veículos reais e acrobacias práticas em grandes extensões de areia.

Quantos Oscars Mad Max: Estrada da Fúria ganhou?

O filme ganhou seis Oscars: montagem, direção de arte, figurino, maquiagem e cabelo, edição de som e mixagem de som. Também foi indicado a melhor filme, melhor direção e melhor fotografia, entre outras categorias, somando dez indicações no total.

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