Pôster de Whiplash: Em Busca da Perfeição

Crítica: Whiplash: Em Busca da Perfeição

Whiplash · 2014

4,5
★★★★★Nota NetCine · de 0 a 5
Direção
Damien Chazelle
Roteiro
Damien Chazelle
Elenco
Miles Teller, J.K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist, Austin Stowell
Gêneros
Drama
Ano
2014
Duração
1h46
País
Estados Unidos
Por Redação NetCinePublicado em Como avaliamos
Cena de Whiplash: Em Busca da Perfeição
Imagem: divulgação

Whiplash: Damien Chazelle transforma uma bateria em campo de batalha e obsessão

SINOPSEAndrew Neiman é um jovem baterista que estuda num prestigiado conservatório de música em Nova York e sonha em se tornar um dos grandes nomes do jazz. Quando é escolhido para a banda do temido professor Terence Fletcher, descobre que o caminho para a excelência pode cobrar um preço físico e psicológico altíssimo.

Whiplash tem a estrutura de um filme de esporte, a tensão de um thriller e o ritmo de um solo de jazz tocado no limite. Damien Chazelle, então com menos de 30 anos, transformou uma história aparentemente pequena — um aluno, um professor, uma bateria — num dos estudos mais intensos já feitos sobre ambição e abuso de poder. É um filme que deixa o espectador sem fôlego e com perguntas incômodas sobre o que estamos dispostos a aceitar em nome da grandeza.

Whiplash é um filme sobre música ou sobre obsessão?

Embora o jazz esteja em todas as cenas, Whiplash fala menos de música e mais da obsessão pela excelência. O roteiro de Chazelle, desenvolvido a partir de um curta homônimo, reduz o mundo de Andrew a uma única meta e mostra como essa fixação vai corroendo relacionamentos, saúde e qualquer noção de equilíbrio. A relação com a família, a tentativa de romance e as amizades viram ruído diante do objetivo de entrar para a galeria dos grandes bateristas.

O filme é inteligente ao não oferecer respostas fáceis. Fletcher defende que a pressão extrema é o que separa os medíocres dos lendários, e o roteiro dá corda suficiente para que o argumento pareça, em alguns momentos, perigosamente convincente. Ao mesmo tempo, mostra sem pudor o custo humano desses métodos. Essa ambiguidade moral é o que faz o longa render tantas discussões: há quem saia da sessão inspirado e há quem saia horrorizado, e ambos têm boas razões.

J.K. Simmons e Miles Teller travam um duelo de atuações

J.K. Simmons venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Fletcher, e é difícil imaginar escolha mais justa. O ator compõe um professor que alterna gentileza calculada e fúria devastadora em segundos, com uma precisão rítmica que dialoga com a própria música. Seus insultos são cruéis e muitas vezes engraçados de tão absurdos, mas nunca gratuitos: cada explosão é uma ferramenta de manipulação. É um antagonista que o espectador teme e, contra a vontade, não consegue parar de observar.

Miles Teller, por sua vez, faz um trabalho físico impressionante. O ator, que já tocava bateria antes do filme, encara sequências exaustivas e transmite a dor e a teimosia de Andrew sem pedir simpatia fácil. Seu protagonista é arrogante, solitário e às vezes desagradável, o que torna a jornada mais interessante. Paul Reiser, como o pai afetuoso, e Melissa Benoist, como a namorada, têm pouco tempo de tela, mas ajudam a mostrar tudo o que Andrew vai deixando para trás.

A montagem de Whiplash é uma aula de ritmo

Whiplash venceu também os Oscars de Melhor Montagem, para Tom Cross, e de Melhor Mixagem de Som — e assistir ao filme explica o motivo. Os cortes acompanham o andamento da música com precisão milimétrica, alternando closes de baquetas, pratos, suor e sangue em velocidade crescente. As cenas de ensaio são filmadas como lutas, com planos curtos e enquadramentos fechados que tornam a sala de aula um espaço claustrofóbico. Poucas vezes o cinema transformou som e imagem numa experiência tão física.

A fotografia de Sharone Meir aposta em tons quentes, amarelados e sombrios, que remetem aos clubes de jazz e ao mesmo tempo criam uma atmosfera opressiva. Chazelle filma com urgência, mas sem perder clareza, e reserva para o terço final uma sequência musical que está entre as mais eletrizantes do cinema recente — melhor não dizer nada além disso. Com orçamento modesto e menos de duas horas de duração, o filme mostra quanto se pode fazer com foco e domínio da linguagem.

Vale a pena assistir Whiplash: Em Busca da Perfeição?

Sem dúvida. Mesmo quem não tem qualquer interesse por jazz é fisgado pela tensão do embate entre aluno e professor, que funciona como um thriller psicológico. Para músicos, estudantes e qualquer pessoa que já tenha vivido a pressão de um ambiente competitivo, o filme ganha camadas extras de identificação e desconforto. É também uma ótima vitrine do talento de Chazelle, que depois confirmaria seu interesse por música e ambição em La La Land: Cantando Estações.

A meia estrela que falta para a nota máxima está ligada a algumas simplificações do roteiro: os personagens secundários são pouco desenvolvidos e certos conflitos se resolvem de forma conveniente para manter a pressão sempre no máximo. Há também quem questione a visão do jazz como pura competição, que deixa de lado a dimensão coletiva e criativa do gênero. São ressalvas menores diante de um filme tão intenso, preciso e memorável, que segue entre os mais vigorosos da década passada.

Pontos fortes

  • J.K. Simmons em atuação vencedora do Oscar
  • Montagem e som que transformam música em ação
  • Ambiguidade moral que rende boas discussões

Pontos fracos

  • Personagens secundários pouco desenvolvidos
  • Visão do jazz centrada demais na competição

Veredito: 4,5/5

★★★★★

Whiplash é um filme intenso e magistralmente montado sobre obsessão, talento e abuso de poder. O duelo entre Miles Teller e J.K. Simmons é inesquecível. Nota 4,5 de 5.

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Perguntas frequentes sobre Whiplash: Em Busca da Perfeição

Whiplash ganhou quantos Oscars?

Whiplash ganhou três Oscars: Melhor Ator Coadjuvante, para J.K. Simmons, Melhor Montagem, para Tom Cross, e Melhor Mixagem de Som. O filme também foi indicado a Melhor Filme e a Melhor Roteiro Adaptado, já que nasceu de um curta-metragem do próprio Damien Chazelle.

Miles Teller toca bateria de verdade em Whiplash?

Sim. Miles Teller já tocava bateria desde a adolescência e passou por um treinamento intensivo para o papel, executando ele mesmo muitas das cenas que aparecem na tela. Isso ajuda a explicar a fisicalidade convincente das sequências de ensaio e de apresentação.

Whiplash é baseado em uma história real?

Não exatamente. Damien Chazelle se inspirou na própria experiência como baterista numa banda de jazz escolar muito competitiva, mas Andrew e Fletcher são personagens fictícios. O longa foi desenvolvido a partir de um curta-metragem homônimo que o diretor realizou antes para atrair investidores.

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