Pôster de Toy Story

Crítica: Toy Story

1995

4,5
★★★★★Nota NetCine · de 0 a 5
Direção
John Lasseter
Roteiro
Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen, Alec Sokolow
Elenco
Tom Hanks, Tim Allen, Don Rickles, Jim Varney, Wallace Shawn, John Ratzenberger
Gêneros
Animação, Aventura, Comédia
Ano
1995
Duração
1h21
País
Estados Unidos
Por Redação NetCinePublicado em Como avaliamos
Cena de Toy Story
Imagem: divulgação

Toy Story: o filme que inaugurou a animação digital e ainda ensina Hollywood a contar histórias

SINOPSEWoody, um boneco caubói, é o brinquedo favorito do menino Andy e o líder natural do quarto. Sua posição é ameaçada quando chega Buzz Lightyear, um patrulheiro espacial que acredita ser um astronauta de verdade. A rivalidade entre os dois acaba deixando ambos longe de casa, e eles precisam cooperar para voltar antes da mudança da família.

É fácil esquecer, diante do que a animação se tornou, o tamanho da aposta que foi Toy Story em 1995. Nenhum estúdio havia lançado um longa-metragem inteiramente feito em computador, e a Pixar era uma empresa pequena com um histórico de curtas e comerciais. O que poderia ter sido apenas uma demonstração de tecnologia virou um dos roteiros mais bem construídos da história da animação. Revisto hoje, o filme envelheceu nos pixels, mas não envelheceu um segundo na emoção.

Por que o roteiro de Toy Story é estudado até hoje?

Porque ele é uma máquina de precisão. A premissa, brinquedos que ganham vida quando ninguém está olhando, poderia render apenas gags, mas o roteiro de Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen e Alec Sokolow a usa para falar de insegurança, ciúme e medo de ser substituído, sentimentos que qualquer adulto reconhece. Woody não é um herói impecável: ele é mesquinho, vaidoso e comete um erro grave por inveja. Que uma animação infantil tenha coragem de dar ao protagonista um defeito tão humano já indica o nível de ambição.

A estrutura também é exemplar. Cada cena empurra a seguinte, cada objeto apresentado no primeiro ato retorna com função no terceiro, e o ritmo de 81 minutos não tem gordura. A relação entre Woody e Buzz segue a lógica clássica das comédias de dupla, dois opostos forçados a cooperar, mas com uma camada a mais: Buzz precisa aceitar quem é, e Woody precisa aceitar que não é o centro do mundo. São dois arcos de amadurecimento que se cruzam e se resolvem no mesmo gesto. Poucas comédias live-action da época eram tão bem amarradas.

A animação de 1995 ainda se sustenta?

Com honestidade: em parte. Os humanos de Toy Story têm uma rigidez de boneco que hoje salta aos olhos, e no cachorro Scud as texturas de pelo denunciam as limitações da época. A Pixar sabia disso e tomou a decisão mais inteligente possível: fazer um filme sobre brinquedos, objetos de plástico com superfícies lisas e movimentos articulados, exatamente o que a tecnologia de então renderizava bem. A limitação virou estética, e Woody e Buzz continuam convincentes porque foram desenhados para o que a ferramenta fazia de melhor.

Mais importante do que o fotorrealismo é a direção de John Lasseter, que entende animação como atuação. As expressões de Woody, o modo como Buzz infla o peito, a forma como Rex treme de ansiedade: tudo é construído com princípios herdados da animação tradicional, como antecipação, esmagamento e estiramento, traduzidos para o meio digital. A câmera virtual também é usada com senso cinematográfico, com planos baixos na altura dos brinquedos que colocam o espectador no ponto de vista deles. Lasseter recebeu um Oscar especial pelo feito, e foi merecido.

O que as vozes e a música de Randy Newman acrescentam?

Tom Hanks como Woody e Tim Allen como Buzz formam uma das grandes duplas vocais da animação. Hanks traz para o caubói a mesma simpatia que o tornou o ator mais querido da década, mas sem esconder a irritação e o ciúme do personagem; é uma voz de que a gente gosta mesmo quando o boneco está errado. Allen dá a Buzz uma convicção heroica tão sincera que a piada funciona sem nunca ser cruel. Ao redor, Don Rickles como Cabeça de Batata e Wallace Shawn como Rex entregam timing cômico impecável.

As canções de Randy Newman são outro acerto de conceito. Em vez de números musicais cantados pelos personagens, como a tradição da animação americana pedia, o filme usa as músicas como comentário externo, à maneira de um narrador. A principal delas, sobre amizade, virou hino, mas a mais eficiente dramaticamente é a que acompanha a crise de identidade de Buzz, um momento de melancolia genuína em um filme infantil. A trilha instrumental, com seus toques de faroeste e jazz, costura tudo com leveza, e as indicações ao Oscar na área musical foram justas.

Vale a pena assistir Toy Story?

Vale para qualquer idade, e essa frase, tão gasta, aqui é literal. Crianças pequenas se divertem com a aventura e com o humor físico; crianças maiores captam a rivalidade e a redenção; adultos se reconhecem nos medos de Woody e, se já tiverem filhos, provavelmente vão se emocionar com a ideia de um quarto que um dia ficará vazio. É um filme que cresce com o espectador, e as continuações, por melhores que sejam, só fazem sentido porque este primeiro capítulo plantou tudo com tanto cuidado.

A nota 4,5 reflete um filme praticamente perfeito em roteiro, personagens e direção, descontando apenas as limitações visuais de uma tecnologia em seu nascimento, que em alguns planos, especialmente com humanos e animais, distraem o olhar contemporâneo. É um reparo quase injusto, porque o filme fez o melhor possível com o que existia, mas é real. De resto, Toy Story é o raro caso de uma revolução técnica que também foi uma revolução narrativa. A Pixar nunca mais fez um filme tão enxuto, e poucas vezes fez um tão bom.

Pontos fortes

  • Roteiro enxuto e emocionalmente maduro para uma animação infantil
  • Dupla vocal Tom Hanks e Tim Allen com química perfeita
  • Direção que trata animação como atuação de verdade

Pontos fracos

  • Humanos e animais denunciam as limitações técnicas de 1995
  • Alguns coadjuvantes do quarto ficam subaproveitados

Veredito: 4,5/5

★★★★★

Toy Story é a prova de que tecnologia nova só faz história quando serve a uma história bem contada. Mais de trinta anos depois, continua sendo um dos roteiros mais perfeitos da animação. Nota 4,5 de 5.

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Perguntas frequentes sobre Toy Story

Toy Story foi o primeiro filme de animação feito por computador?

Sim. Toy Story, lançado em 1995, é reconhecido como o primeiro longa-metragem inteiramente animado por computador da história do cinema. Antes dele, a computação gráfica aparecia em curtas, comerciais e em sequências isoladas de filmes live-action, mas nunca havia sustentado um longa completo.

Quem faz as vozes de Woody e Buzz em Toy Story?

Na versão original em inglês, Woody é dublado por Tom Hanks e Buzz Lightyear por Tim Allen. Ambos retornaram nas continuações da franquia. O elenco original inclui ainda Don Rickles como Sr. Cabeça de Batata, Wallace Shawn como Rex, John Ratzenberger como Hamm e Annie Potts como Betty.

Quantos minutos tem Toy Story?

Toy Story tem 81 minutos de duração, o que o torna um dos longas mais curtos da Pixar. A duração enxuta é uma das razões do ritmo impecável do filme: não há cena dispensável, e a história de Woody e Buzz se resolve sem subtramas desnecessárias, algo que as continuações, mais longas, nem sempre mantiveram.

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