Pôster de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

Crítica: O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring · 2001

4,5
★★★★★Nota NetCine · de 0 a 5
Direção
Peter Jackson
Roteiro
Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson
Elenco
Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Sean Bean, Cate Blanchett
Gêneros
Fantasia, Aventura, Ação
Ano
2001
Duração
2h58
País
Nova Zelândia
Por Redação NetCinePublicado em Como avaliamos
Cena de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel
Imagem: divulgação

A Sociedade do Anel: Peter Jackson transforma Tolkien em cinema grandioso sem perder a alma

SINOPSEO jovem hobbit Frodo Bolseiro herda um anel aparentemente comum, mas descobre que ele é o objeto mais perigoso da Terra-média, cobiçado pelo Senhor do Escuro Sauron. Ao lado de oito companheiros de raças diferentes, ele parte em uma jornada para destruir o anel no único lugar onde isso é possível. No caminho, a Sociedade enfrenta inimigos externos e a tentação que o próprio anel exerce sobre cada um.

Adaptar Tolkien era considerado impossível, e por bons motivos: o livro é denso, cheio de digressões e com um ritmo pouco cinematográfico. Peter Jackson não apenas conseguiu como estabeleceu um novo padrão para o cinema de fantasia. A Sociedade do Anel é o capítulo que carrega a maior responsabilidade da trilogia, porque precisa apresentar um mundo inteiro sem parecer uma aula de história. Que ele faça isso com tanta fluidez, emoção e senso de escala continua sendo um feito notável mais de duas décadas depois.

Como Peter Jackson resolveu o problema de apresentar a Terra-média?

A resposta está no prólogo e no Condado. Em poucos minutos, a narração de Galadriel resume milênios de história com imagens de batalha que já indicam o tamanho da ameaça, e logo em seguida o filme desacelera para mostrar hobbits cuidando de jardins e organizando festas. Esse contraste é a grande sacada do roteiro de Fran Walsh, Philippa Boyens e Jackson: antes de pedir que o público se importe com o destino do mundo, o filme faz com que ele se importe com um lugar pequeno e acolhedor. Quando Frodo deixa o Condado, a perda é concreta.

Jackson também entende que cada novo cenário precisa ter personalidade visual própria. Valfenda é luz dourada e arquitetura delicada; Moria é pedra, escuridão e verticalidade opressiva; Lothlórien é um sonho azulado. A fotografia de Andrew Lesnie, premiada com o Oscar, trata cada ambiente com uma paleta distinta, e o design de produção se apoia nas paisagens da Nova Zelândia para dar peso físico a lugares que existiam apenas em ilustrações. O resultado é um mundo que parece habitado, antigo e coerente, algo que muitas produções de fantasia posteriores tentaram copiar sem sucesso.

O elenco está à altura dos personagens de Tolkien?

O maior acerto de escalação é Ian McKellen como Gandalf. Ele dá ao mago uma mistura de ternura, cansaço e autoridade que torna cada cena sua um pequeno evento, e sua indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante foi justa. Elijah Wood, por sua vez, acerta ao interpretar Frodo com fragilidade crescente em vez de heroísmo; seus olhos vão ficando mais assombrados conforme o anel pesa. Viggo Mortensen, que entrou no projeto às pressas, constrói um Aragorn reservado e desconfiado da própria linhagem, deixando a grandeza para os filmes seguintes.

Sean Bean entrega o arco emocional mais rico deste primeiro capítulo. Seu Boromir é um homem bom corroído por um desejo que ele mesmo não consegue nomear, e a relação dele com Aragorn e com os hobbits rende os momentos mais humanos do filme. Sean Astin, como Sam, planta as sementes da lealdade que será o coração da trilogia. Cate Blanchett e Ian Holm aparecem pouco, mas cada aparição deixa marca. É um elenco sem estrelas de bilheteria à época, o que ajuda a enxergar os personagens antes dos atores.

Por que a trilha de Howard Shore e a montagem fazem tanta diferença?

A trilha de Howard Shore, vencedora do Oscar, é um sistema de temas que se entrelaçam e se transformam. O tema do Condado, bucólico e simples, reaparece em momentos de perda com arranjos melancólicos; o tema da Sociedade cresce conforme o grupo se forma e ganha sua expressão mais grandiosa na travessia das montanhas. Shore não ilustra as cenas, ele conta a história junto com elas, e é possível acompanhar o estado emocional de Frodo apenas pela música. É um dos trabalhos de composição mais ambiciosos já feitos para o cinema.

A montagem de John Gilbert também merece crédito por domar quase três horas de narrativa sem que o público sinta o peso. O filme alterna com precisão sequências de tensão, como a perseguição dos Cavaleiros Negros, e respiros de diálogo, como o conselho em Valfenda, e nunca permite que a exposição se acumule. A sequência de Moria, em particular, é uma aula de ritmo: começa em silêncio, cresce em tensão e explode em ação, para então terminar em um dos momentos mais dolorosos da saga. Poucos blockbusters controlam tão bem a respiração do espectador.

Vale a pena assistir O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel?

Vale muito, e não apenas para fãs de fantasia. A Sociedade do Anel é um filme sobre amizade, responsabilidade e a tentação do poder, temas que funcionam para qualquer público disposto a se entregar a uma história longa. Para quem nunca leu Tolkien, é a porta de entrada mais generosa possível; para quem leu, é uma adaptação que respeita o espírito do livro mesmo quando altera a letra. E para quem gosta de cinema, é um exemplo de como efeitos visuais, maquiagem e cenografia podem servir à narrativa em vez de substituí-la.

A nota 4,5 reconhece um filme quase perfeito dentro do que se propõe. Se há reparos, estão em alguns efeitos digitais que envelheceram, especialmente em criaturas vistas de perto, e em uma estrutura de primeiro ato que, por natureza, deixa pontas abertas para as continuações. Nada disso compromete a experiência. Vencedor de quatro Oscars entre treze indicações, A Sociedade do Anel é o alicerce de uma das maiores trilogias já filmadas, e continua sendo o capítulo mais emocionante dela para muitos espectadores.

Pontos fortes

  • Construção de mundo visualmente coerente e com peso físico
  • Trilha de Howard Shore que narra junto com as imagens
  • Elenco afinado, com Ian McKellen e Sean Bean em destaque

Pontos fracos

  • Alguns efeitos digitais envelheceram em planos próximos
  • Estrutura de primeiro ato depende das continuações para fechar

Veredito: 4,5/5

★★★★★

A Sociedade do Anel estabeleceu o padrão do cinema de fantasia moderno e continua emocionando pela combinação de escala e intimidade. É um épico que nunca perde de vista os personagens. Nota 4,5 de 5.

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Perguntas frequentes sobre O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

Quanto tempo dura O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel?

A versão exibida nos cinemas tem 178 minutos, pouco menos de três horas. Existe também a versão estendida, lançada posteriormente em vídeo, que acrescenta cerca de meia hora de cenas e aprofunda personagens secundários e a passagem por Lothlórien. Para uma primeira vez, a versão de cinema é a mais indicada.

A Sociedade do Anel ganhou Oscar?

Sim. O filme recebeu treze indicações ao Oscar em 2002 e venceu quatro: Melhor Fotografia para Andrew Lesnie, Melhor Trilha Sonora Original para Howard Shore, Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Visuais. Perdeu Melhor Filme para Uma Mente Brilhante, mas a trilogia seria consagrada dois anos depois com O Retorno do Rei.

É preciso ler os livros antes de assistir A Sociedade do Anel?

Não. O filme foi construído para funcionar sozinho, com um prólogo que explica a origem do anel e diálogos que situam o espectador sem exigir conhecimento prévio. Ler Tolkien enriquece a experiência e revela as mudanças da adaptação, mas quem nunca abriu o livro acompanha a história sem dificuldade.

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