Pôster de Duna

Crítica: Duna

Dune · 2021

4,0
★★★★★Nota NetCine · de 0 a 5
Direção
Denis Villeneuve
Roteiro
Jon Spaihts, Denis Villeneuve, Eric Roth
Elenco
Timothée Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac, Josh Brolin, Zendaya, Jason Momoa
Gêneros
Ficção Científica, Aventura, Drama
Ano
2021
Duração
2h35
País
Estados Unidos
Por Redação NetCinePublicado em Como avaliamos
Cena de Duna
Imagem: divulgação

Duna: Denis Villeneuve transforma o livro impossível em ficção científica de peso e silêncio

SINOPSENum futuro distante, a nobre Casa Atreides recebe do Imperador o controle de Arrakis, planeta desértico que é a única fonte da especiaria, a substância mais valiosa do universo. O jovem herdeiro Paul Atreides chega ao deserto perseguido por visões e por uma conspiração que ameaça sua família. Entre os nativos Fremen, ele começa a entender o próprio destino.

Duna carregava a fama de livro infilmável, e não era exagero. O romance de Frank Herbert mistura política, ecologia, religião e misticismo numa densidade que derrubou adaptações anteriores. Denis Villeneuve encarou o desafio com a estratégia oposta à do blockbuster comum: em vez de acelerar, desacelerou. O resultado é uma ficção científica de peso, quase litúrgica, que confia no silêncio e na escala para contar uma história que ainda não termina aqui.

Denis Villeneuve finalmente domou o livro de Frank Herbert?

Em boa medida, sim. O roteiro assinado por Jon Spaihts, Villeneuve e Eric Roth faz a escolha mais sensata possível: adaptar apenas a primeira metade do romance e tratar a exposição como atmosfera, não como aula. Termos como especiaria, Bene Gesserit e Fremen aparecem no fluxo das cenas, explicados pela ação ou por um diálogo curto, e o espectador que nunca leu Herbert consegue acompanhar a trama política sem travar. É uma adaptação respeitosa, mas não servil, que corta subtramas inteiras para preservar o essencial.

O preço dessa escolha é certa frieza. Villeneuve sempre foi um diretor de distância, e aqui os personagens parecem às vezes figuras num tabuleiro gigantesco. Paul, vivido por Timothée Chalamet, é observado mais do que compreendido, o que faz sentido para um protagonista ainda em formação, mas limita a conexão emocional. Quem sustenta o coração do filme é Rebecca Ferguson como Lady Jessica, mãe dividida entre a devoção ao filho e as ordens de uma ordem secreta. Suas cenas têm a tensão que falta a outros momentos.

A escala visual e sonora é o grande trunfo

Nenhuma ficção científica recente trabalhou a noção de tamanho com tanta convicção. A fotografia de Greig Fraser filma naves, palácios e dunas como se fossem montanhas, com figuras humanas minúsculas na base do quadro, e o design de produção aposta em formas brutalistas, superfícies ásperas e uma paleta de areia, bronze e cinza que foge do neon habitual do gênero. O ornitóptero, nave com asas de libélula, é um dos melhores desenhos de veículo do cinema recente, e a primeira aparição de um verme da areia justifica sozinha a sessão na sala grande.

A trilha de Hans Zimmer merece o mesmo destaque. Em vez de orquestra tradicional, o compositor usa vozes femininas processadas, percussão tribal e texturas eletrônicas que soam ao mesmo tempo antigas e alienígenas. O som funciona como narrativa: a Voz das Bene Gesserit, os escudos pessoais e o rugido dos vermes têm identidade própria, e a mixagem dá a cada ambiente um peso físico. Os Oscars de trilha, fotografia, som, montagem, design de produção e efeitos visuais foram, nesse caso, pura justiça. É cinema sensorial de primeira linha.

Metade de uma história é suficiente?

Essa é a crítica mais frequente e ela tem fundamento. Duna termina num ponto que não é um clímax, e sim uma pausa. A estrutura clássica de três atos não existe aqui: o filme apresenta, desenvolve, e então para quando a jornada de Paul está começando de fato. Para quem assiste sem saber que se trata da primeira parte, a sensação de interrupção é real e incômoda. Villeneuve assumiu o risco de filmar um prólogo gigantesco apostando que a continuação seria aprovada, e felizmente foi.

Ainda assim, visto como um primeiro capítulo, o ritmo faz sentido. A primeira hora é lenta por decisão, não por descuido, e cada sequência constrói o mundo que a segunda metade vai colocar em colapso. O ataque a Arrakeen é uma das grandes sequências de guerra da ficção científica recente, e o filme chega ao final com clareza sobre quem é quem e o que está em jogo. Zendaya, promovida no marketing a coprotagonista, aparece pouquíssimo, e essa discrepância entre promessa e entrega irritou parte do público com razão.

Vale a pena assistir Duna?

Vale, com uma recomendação clara: assista sabendo que é a primeira parte de uma história em dois filmes. Com essa expectativa ajustada, Duna é uma das ficções científicas mais ambiciosas e bem realizadas das últimas décadas, um blockbuster que recusa a gramática apressada do gênero e confia na imersão. A direção de Villeneuve é segura, o elenco é forte mesmo nos papéis menores, com Oscar Isaac, Josh Brolin e Jason Momoa funcionando bem como figuras de apoio, e o conjunto técnico é referência.

A nota 4 reconhece o feito e aponta os limites. Falta calor humano em boa parte da projeção, Chalamet ainda não convence como líder em formação e o final deixa o espectador no meio do caminho. Mas o que está na tela é grande demais para ser diminuído por isso. Para quem gosta de ficção científica densa, com política e religião no lugar de perseguições espaciais, é programa obrigatório. Para quem busca ação constante, pode parecer um longo e belíssimo trailer.

Pontos fortes

  • Escala visual e design de produção únicos no gênero
  • Trilha e desenho de som de Hans Zimmer e equipe
  • Adaptação clara de um material denso

Pontos fracos

  • Final abrupto, sem clímax próprio
  • Frieza emocional e protagonista pouco carismático

Veredito: 4,0/5

★★★★★

Duna é um prólogo monumental: tecnicamente impecável, visualmente inesquecível e narrativamente incompleto por desenho. Villeneuve entrega a melhor versão possível da primeira metade do livro, ainda que falte emoção. Nota 4 de 5.

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Perguntas frequentes sobre Duna

Precisa ler o livro para entender Duna?

Não. O roteiro foi escrito para que o espectador sem contato com o romance de Frank Herbert acompanhe a trama política e os termos do universo pelo contexto das cenas. Quem leu o livro vai perceber cortes e simplificações, mas a história principal fica clara para qualquer público.

Duna (2021) é só a primeira parte da história?

Sim. O filme adapta aproximadamente a primeira metade do primeiro livro de Frank Herbert e termina num ponto de transição, sem clímax definitivo. A continuação, Duna: Parte Dois, chegou aos cinemas em 2024 e conclui a adaptação do romance original.

Quantos Oscars Duna ganhou?

Duna venceu seis Oscars na cerimônia de 2022: Trilha Sonora Original para Hans Zimmer, Fotografia para Greig Fraser, Montagem, Som, Design de Produção e Efeitos Visuais. Foi o filme mais premiado daquela noite, embora tenha perdido Melhor Filme e não tenha recebido indicação de direção.

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