Pôster de Oppenheimer

Crítica: Oppenheimer

2023

3,5
★★★★★Nota NetCine · de 0 a 5
Direção
Christopher Nolan
Roteiro
Christopher Nolan
Elenco
Cillian Murphy, Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Josh Hartnett
Gêneros
Biografia, Drama, Histórico
Ano
2023
Duração
3h00
País
Estados Unidos
Por Redação NetCinePublicado em Como avaliamos
Cena de Oppenheimer
Imagem: divulgação

Oppenheimer: Christopher Nolan impressiona na forma, mas se perde no próprio labirinto

SINOPSEO filme acompanha J. Robert Oppenheimer, físico teórico americano escolhido para liderar o laboratório de Los Alamos durante a Segunda Guerra Mundial. Entre a corrida para desenvolver a bomba atômica e as disputas políticas que se seguem, a narrativa examina a ambição, a culpa e as contradições de um homem que mudou o rumo da história.

Oppenheimer é, sem dúvida, um acontecimento cinematográfico. Christopher Nolan reuniu um elenco estelar, filmou em IMAX com película de grande formato e transformou a biografia do pai da bomba atômica num épico de três horas que ganhou sete Oscars, incluindo Melhor Filme. Ainda assim, por trás da grandiosidade técnica, há um filme mais irregular do que a consagração sugere: brilhante em momentos isolados, cansativo em outros e por vezes refém da própria complexidade.

Como Christopher Nolan estrutura a história de Oppenheimer?

Baseado no livro American Prometheus, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, o roteiro de Nolan divide a narrativa em dois eixos: um em cores, centrado na perspectiva subjetiva de Oppenheimer, e outro em preto e branco, ligado ao ponto de vista de Lewis Strauss, vivido por Robert Downey Jr. Essas linhas se entrelaçam com flashbacks e audiências que se interrompem mutuamente, num quebra-cabeça temporal típico do diretor de Amnésia e Dunkirk.

A ideia é ambiciosa e, em parte, funciona: o contraste entre as duas perspectivas cria ironias e revela como a memória e a política distorcem a história. O problema é que a estrutura fragmentada acaba privilegiando a forma em detrimento da clareza. São dezenas de personagens apresentados às pressas, nomes que surgem e desaparecem e diálogos expositivos em ritmo acelerado. Quem não conhece o contexto histórico pode se perder, e mesmo quem conhece sente o peso de tanta informação comprimida.

Cillian Murphy entrega a melhor atuação de sua carreira

Se há uma unanimidade em Oppenheimer, é Cillian Murphy. Vencedor do Oscar de Melhor Ator, ele compõe um físico magnético e enigmático, capaz de carisma intelectual e de uma frieza perturbadora. Os olhos do ator carregam boa parte do filme, especialmente nos momentos em que a culpa começa a se infiltrar. Murphy evita transformar Oppenheimer em herói trágico ou vilão arrependido; o que vemos é um homem contraditório, vaidoso e assombrado, retratado com nuances raras.

Robert Downey Jr., premiado com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, é a outra grande força do elenco, com uma atuação contida que se afasta de seus papéis mais conhecidos. Emily Blunt tem pelo menos uma cena memorável como Kitty Oppenheimer, e Matt Damon traz energia ao general Leslie Groves. Já Florence Pugh, apesar do talento, recebe uma personagem subaproveitada, e muitos nomes famosos aparecem em participações tão rápidas que funcionam mais como distração do que como acréscimo dramático.

Fotografia, som e trilha fazem de Oppenheimer uma experiência sensorial

Tecnicamente, o filme é impecável. A fotografia de Hoyte van Hoytema, premiada com o Oscar, alterna close-ups intensos com as paisagens amplas do Novo México, e as sequências em preto e branco têm uma textura belíssima. A montagem de Jennifer Lame, também vencedora da estatueta, dá agilidade a um material denso. E a recriação do teste Trinity, construída com efeitos práticos, é um dos momentos mais tensos e impressionantes do cinema recente, filmado com paciência quase hipnótica.

A trilha de Ludwig Göransson, outra vencedora do Oscar, é intensa e quase onipresente, com cordas nervosas que reforçam a ansiedade do protagonista. Às vezes, porém, essa insistência sonora sufoca as cenas, empurrando emoções que as imagens já transmitem. O desenho de som usa silêncios e estrondos de maneira inventiva, mas a mixagem, característica dos filmes de Nolan, ainda deixa alguns diálogos difíceis de acompanhar. É um espetáculo audiovisual de primeira grandeza, com excessos que cobram seu preço.

Vale a pena assistir Oppenheimer?

Vale, sobretudo para quem gosta de cinema histórico, se interessa pela era atômica ou admira o estilo de Christopher Nolan. Há momentos de grande cinema, e a atuação de Cillian Murphy por si só justifica a sessão. Mas é importante ir preparado: são três horas de duração, com uma última hora dedicada a disputas políticas e audiências que, embora relevantes para o retrato do personagem, dissipam a tensão acumulada e tornam o filme mais arrastado.

A nota 3,5 traduz esse saldo: um filme bom, ambicioso e tecnicamente exemplar, mas longe da obra-prima que a temporada de prêmios consagrou. Falta a Oppenheimer a economia narrativa que tornaria sua reflexão moral mais potente, e sobra uma vontade de grandeza que, por vezes, soa autoindulgente. Ainda assim, poucos blockbusters recentes se arriscaram tanto em temas tão espinhosos, e só por isso o longa já merece ser visto e discutido — de preferência na maior tela possível.

Pontos fortes

  • Atuação magistral de Cillian Murphy
  • Fotografia e som de impacto raro
  • Recriação marcante do teste Trinity

Pontos fracos

  • Duração excessiva e terço final arrastado
  • Estrutura fragmentada sobrecarrega o espectador

Veredito: 3,5/5

★★★★★

Oppenheimer é um épico tecnicamente grandioso, sustentado por um Cillian Murphy excepcional. A estrutura confusa, o excesso de personagens e a duração exagerada, porém, impedem que o filme alcance a grandeza que persegue. Nota 3,5 de 5.

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Perguntas frequentes sobre Oppenheimer

Quantos Oscars Oppenheimer ganhou?

Oppenheimer ganhou sete Oscars na cerimônia de 2024: Melhor Filme, Direção, Ator (Cillian Murphy), Ator Coadjuvante (Robert Downey Jr.), Fotografia, Montagem e Trilha Sonora Original. Foi o grande vencedor da noite e um dos filmes mais premiados da década.

Oppenheimer é baseado em fatos reais?

Sim. O filme retrata a vida de J. Robert Oppenheimer, físico que liderou o laboratório de Los Alamos durante o Projeto Manhattan, e adapta a biografia American Prometheus, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, vencedora do Prêmio Pulitzer. Algumas cenas e diálogos são dramatizados.

Qual é a duração de Oppenheimer?

Oppenheimer tem cerca de três horas de duração, o que o torna o filme mais longo da carreira de Christopher Nolan. Por isso, vale se programar para assistir com calma e sem interrupções, já que a narrativa fragmentada exige bastante atenção do espectador.

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